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Influência da Guerra do Paraguai na colonização de Indaial
Erich Stange*
Em 1864, o presidente do Paraguai, Solano Lopes, sem declarar guerra ao Brasil, confiscou o navio brasileiro "Marquês de Olinda" e invadiu com as suas tropas a província de Mato Grosso, matando o povo e queimando suas propriedades, roubando o gado e devastando as plantações. Por este motivo, o governo brasileiro foi juntando tropas de "voluntários", já que ainda não havia a obrigação do serviço militar. Com este fim foram mandados comissários, portando a bandeira imperial, para as colônias de imigrantes, também à recém-instalada Blumenau. Nesta colônia inscreveram-se 67 soldados e 5 oficiais. Parte dos mesmos iniciou a marcha para Desterro, hoje Florianópolis, capital da província, já no dia 05 de setembro de 1865. O restante seguiu no dia 23 de outubro. Os oficiais eram: Capitão von Gilsa, Tenente Emil Odebrecht, Alferes Sametzki e von Seckendorff e Alferes Cirurgião Friedenreich.
Conforme a "fala" do Presidente da província, Sr. Adolpho de Barros Cavalcanti de Albuquerque Lacerda, em 1865, a província de Santa Catarina, juntamente com a do Paraná, forneceu os Batalhões de Voluntários n0 9 e 25 e duas companhias de alemães. A guerra, que durou 5 anos, terminou em lš de março de 1870, com a derrota paraguaia.
Além dos voluntários alemães, os comissários também levavam os jovens da população ribeirinha, na maioria mestiços, que eram incorporados como voluntários forçados. Estes, na maioria e na primeira oportunidade se evadiram, voltando ao seu povoado, onde, por ordem policial, eram recapturados como desertores e reincorporados ao corpo expedicionário. Para fugir às patrulhas de captura, subiram rio acima, vencendo as corredeiras de Salto Weissbach e Encano, chegando à embocadura do rio Benedito. À margem esquerda do rio Itajaí foi se formando um povoado destes desertores, que foi chamado de Carijós, devido à mistura de raças existentes, como portugueses, açorianos, índios e negros escravos fugitivos. Atravessaram o rio Benedito e na outra margem, um pouco acima, outro povoado se formou, chamado Rio Morto, devido às águas mansas do rio, naquela localidade. Atravessaram os morros na fuga dos patrulheiros e se fixaram também em Arapongas (ou mato ou morro, como se diz). Mais tarde, quando a colonização avançou, encontrou esta gente, já estabelecida com as suas roças de aipim, cana, feijão e milho, respeitando-os como posseiros. Muitos se tornaram bons colonos; outros viviam só da caça e pesca; e outros ainda se juntaram com escravos fugitivos, que desciam a serra vindos de Curitibanos e Lages tornando-se vagabundos e ladrões. Assaltavam as casas dos colonos mais afastados, deixando muitas vezes flechas para culpar os índios que ainda faziam uma ou outra incursão nos sítios mais afastados.
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Fonte: STANGE, Erich. Memoraízes: instantâneos históricos de Indaial. Blumenau: Odorizzi, 2000. p. 18-19.