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A MANSÃO MALDITA

Aldori Fernandes da Costa

(Fragmento do livro de terror "A Mansão Maldita")

Anacréia acordou no meio da noite; parecia que naquela região a noite demorava a terminar; estava com calor, um calor sufocante, como se houvesse uma mão tapando a sua boca, fato estranho já que parecia bater um vento gostoso do lado de fora.

Levantou-se e foi abrir a janela. Viu que Romildo dormia sereno ficando a imaginar o porquê de haverem tantos sons dentro da casa nas madrugadas.

A janela daquele quarto dava para os fundos da residência, convidando Anacréia a olhar o riacho e a imensa floresta e forçando-a a não mais pensar no que havia escutado no inicio da noite.

Anacréia sentia a brisa cheirosa da madrugada batendo em seu rosto e batendo também nas árvores fazendo-as balançar e a trazer um leve ruído de farfalhar.

Estava vagando em seus pensamentos quando olhou para baixo e viu, para surpresa sua, alguém caminhar pelo quintal.

Apesar da escuridão, Anacréia pensou ver jeovaldo naquela criatura. Mas o que ele estaria fazendo acordado e no quintal àquela hora da madrugada?

Anacréia viu "Jeovaldo" caminhar até o portãozinho que levava ao cemitério. Certificou-se de que Romildo ainda dormia e, como perdera o sono, resolveu ir ver o que seu tio estava querendo.

Vestiu-se com um casaco e desceu apressada passando pelo corredor escuro e angustiante, mas resolveu não acender a luz para não acordar seu marido.

Desceu a escada sem fazer barulho e sem olhar para trás pois não queria se assustar com nenhuma sombra. Chegou na cozinha fria, e impregnada com o cheiro de detergente que ela usara no dia anterior, e abriu a porta dos fundos. A maçaneta estava gelada e, o que era mais estranho, a porta encontrava-se trancada. Jeovaldo não poderia ter saído por ali, pensou Anacréia desconfiada.

Chegando no quintal, viu o vulto entrar pelo caminho ladrilhado que levava para o interior do bosque. Seguiu atrás dele.

A noite tinha um frescor gostoso e Anacréia foi pelo mesmo caminho que encontrara no dia anterior e que conduzia para o estranho cemitério.

Começou a ficar um pouco assustada pois não escutava nada. Resolveu chamar seu tio pelo nome.

"Tio Jeovaldo!" falava baixinho mas sem obter resposta. Só via as nuvens passando e revelando uma lua quase cheia.

"Tio Jeovaldo!" falou de novo, desta vez mais alto. Foi então que ouviu um gemido parecido com um lobo no meio do mato. Não viu ninguém.

Andou mais um pouco pisando na areia fofa do bosque mas a trilha começou a se fechar.

Quando a lua estava se escondendo por detrás das nuvens, Anacréia viu algo se mexer por entre as árvores e percebeu que não era seu tio. Era mais parecido com aquela criatura que vira no dia anterior no rio.

E aquela coisa começou a rastejar em sua direção. Não podia distinguir o que era pois estava escuro e a "coisa" não caminhava pela trilha e sim pelo mato que tinha ao redor.

Anacréia começou a correr em direção ao portão tropeçando nos galhos das árvores que estavam jogados no chão.

Quando conseguiu chegar no final da trilha, aquela "coisa" segurou seu calcanhar derrubando-a perto do portão.

Anacréia berrou com todas as forças que tinha sacudindo os pés numa agilidade incrível. Sentiu uma sensação terrível de que iria morrer.

O grito era a única coisa que ecoava num raio de um quilômetro, e estava berrando ainda quando Jeovaldo a carregou para dentro da casa.

"Alguma coisa me atacou" dizia Anacréia desesperada "Você tem que acreditar em mim desta vez tio. Havia alguém lá trás. Algo está acontecendo nesta casa. Você tem que acreditar..."

E começou a soluçar.

"Acredito em você Ana, acredito em você!"

"Mesmo?"

"Claro. Quando eu cheguei aqui em baixo para ver o que estava acontecendo, vi alguma coisa que estava atrás de você fugir para o meio do floresta".

"Romildo?" perguntou Anacréia "Cadê ele? Será que não escutou nada do que aconteceu?"

"Impossível não ter escutado, com a barulheira que você fez..."

Subiram feito loucos para o quarto pressentindo que alguma coisa estava acontecendo. Alguma coisa de ruim.

Chegando lá, encontraram Romildo deitado na cama.

"Romildo?" perguntou Anacréia.

Não se mexeu, nem mesmo quando Anacréia e Jeovaldo o sacudiram.

Foi quando perceberam que havia uma enorme faca que nunca tinham visto antes, enterrada nas suas costas até o cabo.

Jeovaldo e Anacréia entreolharam-se desesperados, sem saber o que fazer quando Romildo suspirou e disse em voz fraca, mas clara:

"Fujam... a carta... a maldição... fujam..."

E adormeceu para nunca mais acordar.

Lá fora, a estranha criatura se escondia no mato. Estava amanhecendo e mais um dia não tardava a chegar.

 

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