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FIGURA 1: Múmia conservada no Museu Egípcio de Turim_______________________
FIGURA 2: A foto mostra quatro vasos canopos, recipientes onde eram colocadas as vísceras extraídas do corpo do cadáver. Cada vaso representa uma divindade. Da esquerda para a direita: IMSET (com a tampa em forma de cabeça humana, onde era depositado o fígado); DUAMUTEF (com a tampa em forma de chacal, onde era depositado o estômago); HAPI (com a tampa em forma de babuíno, onde eram guardados os pulmões); KEBEHSENUEF (com a tampa em forma de falcão, onde se guardavam os intestinos)._______________________
FIGURA 3: Pintura de um túmulo da necrópole de Siuah, onde Anupu, divindade que acompanha os rituais de embalsamento no momento da abertura da boca, aparece no processo de mumificação do morto._______________________ Fonte das Imagens: (1) Egitomania: o fascinante mundo do antigo Egito. São Paulo: Planeta, 2001, p. 45; (2) Idem, p. 04; (3) Idem, p. 547. |
EMBALSAMENTO, O PASSAPORTE PARA A VIDA ETERNA HERÓDOTO Há, no Egito, certas pessoas encarregadas por lei de realizar os embalsamentos e que fazem disso profissão. Quando lhes trazem um corpo, mostram aos portadores modelos de mortos em madeira, pintados ao natural. O mais digno de atenção representa, segundo eles, aquele cujo o nome tenho escrúpulos de mencionar aqui. Mostram depois um segundo modelo, inferior ao primeiro e mais barato, e ainda um terceiro, perguntando, então, por que modelo querem que o morto seja embalsamado. Combinado o preço, os parentes retiram-se. Os embalsamadores trabalham em suas próprias casas, e eis como procedem nos embalsamentos mais caros: primeiramente extraem o cérebro pelas narinas, parte com um ferro recurvo, parte por meio de drogas introduzidas na cabeça. Fazem, em seguida, uma incisão no flanco com pedra cortante da Etiópia e retiram, pela abertura, os intestinos, limpando-os cuidadosamente e banhando-os com vinho de palmeira e óleos aromáticos. O ventre, enchem-no com mirra pura e moída, canela e essências várias. Feito isso, salgam o corpo e recombrem-no com natro, deixando-o assim durante setenta dias. Decorrido este tempo, lavam-no e envolvem-no inteiramente com faixas de algodão embebidas em commi, de que os egípcios se servem ordinariamente como cola. Concluído o trabalho, o corpo é entregue aos parentes, que o encerram numa urna de madeira feita sob medida, colocando-a na sala destinada a esse fim. Tal a maneira mais luxuosa de embalsamar os mortos. Os que preferem um tipo médio de embalsamento e querem evitar despesas, escolhem essa outra espécie, em que os profissionais procedem da seguinte maneira: enchem as seringas de um licor untuoso tirado do cedro e injectam-no no ventre do morto, sem fazer nenhuma incisão e sem retirar os intestinos. Introduzem-no igualmente pelo orifício posterior e arrolham-no, para impedir que o líquido saia. Em seguida, salgam o corpo, deixando-o assim durante determinado prazo, findo o qual fazem escorrer do ventre o licor injectado. Esse líquido é tão forte que dissolve as entranhas, arrastando-as consigo ao sair. O natro consome as carnes, e do corpo nada resta a não ser a pele e os ossos. Terminada a operação, entregam-no aos parentes, sem mais nada fazer. O terceiro tipo de embalsamento destina-se aos mais pobres. Injeta-se no corpo o licor denominado surmaia, envolve-se o cadáver no natro durante setenta dias, devolvendo-o depois aos parentes. Tratando-se de mulher, e se esta é bonita ou de destaque, o cadáver só é levado para o embalsamento decorridos três ou quatro dias após o seu falecimento. Toma-se essa preocupação pelo receio de que embalsamadores venham a violar o corpo. Conta-se que por denúncia de um dos colegas, foi um deles descoberto em flagrante com o cadáver de uma mulher recém falecida. Se se encontra um cadáver abandonado, seja morto egípcio ou mesmo estrangeiro; trate-se de alguém atacado por crocodilo ou afogado no rio, a cidade em cujo território foi o corpo atirado é obrigada a embalsamá-lo, a prepará-lo da melhor maneira e a sepultá-lo em túmulo sagrado. Não é permitido a nenhum dos parentes ou amigos tocar no cadáver; só os sacerdotes do Nilo têm esse privilégio; e eles o sepultam com as próprias mãos, como se se tratasse de algo mais precioso do que o simples cadáver de um homem. FONTE: Heródoto. História. Rio de Janeiro: W. M. Jackson, 1964. p. 149-213. |
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