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1964
Viegas Fernandes da Costa
acorda na madrugada
a cidade, o cachorro, os conjuros
o pé nos chinelos e o passo arrastado
dois homens armados na porta
batem!
as mãos procuram a faca, a fala procura a voz
"quem é?" indecisa pergunta
"polícia!" incisiva resposta
porta, chave, maçaneta
dois homens frustrados fardados
abandonaram esposas no leito
alojaram a arma no coldre do peito
gritaram
"abra!" tonitruante trovão
as mãos procuram a chave, a fala procura a voz
"já vai" suplicante resposta
"arrombamos?" implicante pergunta
o tapa, o escarro, a infâmia
o pijama conspurcado na lama
o corpo lançado no limbo camburão
onde há mais, "três" - calcula
arrancados do sono, insones famílias
aguardam,
guardam as lembranças da cama
esposas que se entregam ao estupro
"posso salvá-lo?" desesperada proposta
"podes salvá-lo!" sorriso e lascívia
a cela, o catre, a surra
o silêncio rasgado por gritos
"não sei"! "Os nomes!?" quaisquer...
João, Silvina, José
porrada na cara, nas costas, nos pés
o corpo molhado, amarrado, tremula
o dínamo trabalha, o louco gargalha
"mata!" "enterra!" "é um comuna!"
pendura na coluna
e fuzila!