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FERNANDO SYLVAN
- poemas|
Fernando Sylvan nasceu em 1917, na capital, Dili. Faleceu em 1993 na cidade de Cascais, Portugal, onde morou por grande parte da sua vida. GLOSSÁRIO Ínan: mãe Kuda: Cavalo Maromak: Deus
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MENSAGEM DO TERCEIRO MUNDONão tenhas medo de confessar que me sugaste o sangue E engravataste chagas no meu corpo E me tiraste o mar do peixe e o sal do mar E a água pura e a terra boa E levantaste a cruz contra os meus deuses E me calasse nas palavras que eu pensava. Não tenhas medo de confessar que te inventasse mau Nas torturas em milhões de mim E que me cavas só o chão que recusavas E o fruto que te amargava E o trabalho que não querias E menos da metade do alfabeto. Não tenhas medo de confessar o esforço De silenciar os meus batuques E de apagar as queimadas e as fogueiras E desvendar os segredos e os mistérios E destruir todos os meus jogos E também os cantares dos meus avós. Não tenhas medo, amigo, que te não odeio. Foi essa a minha história e a tua história. E eu sobrevivi Para construir estradas e cidades a teu lado E inventar fábricas e Ciência, Que o mundo não pode ser feito só por ti. MENINOS E MENINAS
Todos já vimosnos livros, nos jornais,no cinema e na televisãoretratos de meninas e meninosa defender a liberdade de armas na mão.Todos já vimosnos livros, nos jornais,no cinema e na televisãoretratos de cadáveres demeninos e meninasque morreram a defendera liberdade de armas na mão.Todos já vimos!E então? MENINO JESUS DA MINHA COR
Meu Natal Timor, Meu primeiro Natal.
Quantos anos tinha?! Nunca o soube ao certo.
Minha Mãe-Menina Fez-me o seu presépio: Uma encosta arrancada ao Ramelau Com uma gruta ausente Cheia de Maromak E perfume de coco, Um búfalo e um Kuda E o bafo quente dos seus pulmões.. E um metiino sobre a palha de arroz E folhas de cafeeiro
Um menino branco Igual aos que chegavam de longe.
E eu recuei, porque via no berço Um menino rosado, Um menino branco Igual aos que chegavam de longe.
E eu, obedecendo, Firmei-me todo nEle. E vejo-O desde então Também da minha cor! |