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MODERNIDADE AMERICANA: comentário sobre a arte de Guido Heuer

Urda Alice Klueger

"Eu estava em Paris fazia uns 10 dias, quando fui conhecer La Defense, o quarteirão ultra-moderno de Paris. Paris conserva com extremo ciúme sua arquitetura do final do século passado ou da Belle Époque - tirando algumas raríssimas construções modernas em meio a cidade antiga, propositalmente feitas para contrastar com o peso da tradição do passado, estar em Paris é estar dentro da História de outro ou outros séculos. Daí, fazia uns dez dias que eu convivia com o passado, quando conheci La Defense.
Santo Deus, era daquilo que eu gostava! Eu, americana, moderna, mesmo amante da História e encantada com a arquitetura de Paris, senti-me florescer ao encontrar toda a modernidade de La Defense - minha alma se expandiu em alegria e eu respirei com uma profundidade nova, entre os arranha-céus e as obras de arte arrojadíssimas daquele pedaço moderno de Paris. Foi a primeira vez que tomei conhecimento da minha modernidade, do meu gosto de americana, desse meu continente tão jovem, onde o que é antigo tem um gosto mais de curiosidade, fica mais para a História - nós, americanos, somos como a nossa terra: novos e cheios de futuro.
Um dia, mais tarde, conheci Fortaleza, no Brasil, e de novo me encantei com as arrojadas obras de arte que povoam as praças daquela cidade cearense. Fortaleza é uma cidade sintonizada com seu tempo e com o seu continente novo, e a modernidade das suas obras de arte em cada canto também me expandiram a alma, me deram aquele prazer de modernidade na boca, aquele aperto no coração, deixaram-me sintonizada com o meu tempo e a minha realidade.
Agora, aqui na nossa pacata Blumenau, que é ainda tão nova em tempo, mas que conserva tanto, ainda, de retrógrada, tenho a surpresa de bater de frente com a nova escultura que Guido Heuer fez para a cidade. Ela está lá, em lugar de destaque, perto da ponte do Tamarindo, e é tão visível e dinâmica e moderna, que vê-la é como levar um soco no peito. De novo aqueci-me por dentro, senti o prazer da modernidade na boca, derreti-me de prazer por saber que os nossos teutos já não estão sintonizados com o ranço da velha Europa, que absorveram essa modernidade que é uma coisa da nossa novíssima América.
Obrigada, Guido, pela emoção da sua escultura! Obrigada por seres um americano como eu! Obrigada pela emoção que me passou!

FONTE: http://www.guidoheuer.com.br/esc.html . Pesquisa realizada em 23 de maio de 2002.

 

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